O Cross é o herdeiro do mítico Panda 4x4. E se o original ficou conhecido por “passar por cima de toda a folha”, este pode ganhar o mesmo epíteto. Ao contrário do seu congénere biológico, o Panda Cross é um aventureiro nato com uma agilidade assinalável em estrada e fora dela.

Quando se fala do Fiat Panda 4x4 no mundo do todo o terreno mais purista, faz-se, no mínimo, com respeito. Este é o maior elogio de um público aficionado e tão especializado que, no geral, tem muito má opinião acerca do potencial “off-road” dos SUV modernos. O que significa que este Panda é capaz de oferecer potencialidades todo o terreno acima da média para um segmento onde os verdadeiros “trepa obstáculos” começam a escassear.

E o que faz deste pequeno utilitário um “monstro” do TT? Os segredos não são muitos, mas os suficientes para o transformar num Panda diferente, mais exclusivo e único. A começar pelo peso, que supera por pouco a tonelada; pelo esquema de tração integral com repartição automática da potência; e, sobretudo, as dimensões muito pequenas que fazem dele um autêntico brinquedo para o fora de estrada.

Mas, antes de falarmos das capacidades TT do Panda, este 4x4 é um chamariz pela estética. A secção dianteira tem um para-choques mais contundente, com faróis de nevoeiro sobredimensionados e uma proteção de toda a zona frontal inferior em plástico com várias aberturas. Para além de toda esta frente avantajada, e para reforçar ainda mais a identidade aventureira, o Cross monta anéis de reboque em aço forjado de cor vermelha, um legado dos modelos mais radicais da Jeep, os Trailhawk. Mas há mais: suspensão com molas mais elevadas que a versão 4x4 (a altura ao solo é de 161 mm contra os 157 mm do 4x4) e ângulos de ataque e saída de 24º e 33º, respetivamente. Esta alteração torna o Cross mais firme, tanto em pistas de terra como em asfalto, assegurando uma maior contenção das inclinações da carroçarias e uma resposta mais ágil dos “golpes” de volante. O sistema de tração foi melhorado (ver caixa) e o seu esquema recorre, agora, a um diferencial central de embraiagem por discos, controlado eletronicamente, que dá pelo nome de “Torque on Demand”.

A versão Diesel está equipada com o motor 1.3 Multijet que, no caso do Cross, vê a potência chegar aos 80 cv enquanto o binário de 190 Nm se mantém inalterado, o mesmo acontecendo com a caixa de cinco velocidades de relações muito curtas. Em estrada e autoestrada sente-se a falta de uma sexta relação que garantiria um maior desafogo ao motor e contribuiria para baixar os consumos. Em cidade, a caixa de 5 velocidades dá uma preciosa ajuda para mover o utilitário de forma ágil, pois permite ao motor subir de regime com rapidez. A direção City, uma tradição na Fiat, é mais um auxílio nas manobras urbanas.

Se em cidade, o Cross não perde nenhuma das potencialidades inerentes ao conceito de citadino, em fora de estrada mostra todas as aptidões e a sua razão de ser. A forma como se adapta à morfologia do terreno e a rapidez de atuação do sistema de tração, praticamente impercetível na transferência de binário entre os dois eixos, são de assinalar. Em situações de piso sem aderência, o modo “off-road” assegura uma motricidade constante e muito equilibrada. Por outro lado, como o controlo de tração não condiciona a entrega de binário do motor, basta acelerar um pouco mais para que a transmissão, em conjunto com os pneus mistos M+S, faça o seu trabalho de forma invulgarmente eficiente. A resposta em situações delicadas é tão efetiva como divertida. Em situações extremas, como por exemplo quando uma roda perde tração por completo, o Cross consegue ir avançando pouco a pouco graças ao bloqueio ELD (Eletronic Locking Differential).

Ao volante do Panda, andar em fora de estrada parece uma brincadeira de crianças. Mas esta exclusividade paga-se: são mais de 20 mil euros por esta versão, sem opcionais. É quase só para aficionados...

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